Minhas Impressões: Oldboy (2003)

- segunda-feira, 24 de junho de 2013
* Alerta de Spoiler: Este post discute livremente elementos de toda a trama do filme. Aqueles que não viram o filme e querem o ver antes, são encorajados a regressar depois de tê-lo visto. *


Imaginem se Tarantino, Hitchcock, Fincher, Aronofsky e Miike se juntassem para fazer um filme. Creio que seria tão profundamente perturbador como foi Oldboy, um dos mais recentes filmes que assisti.

Oldboy é um filme sul-coreano, dirigido por Chan-wook Park, em 2003, baseado em um mangá japonês, de mesmo nome. Eu ainda não tive a oportunidade de ler o mangá, mas farei isso em breve, pois o filme me motivou bastante a conhecê-lo.

No dia do aniversário de sua pequena filha, Dae-su Oh é sequestrado e aprisionado em um quarto que possui apenas uma televisão. A prisão o deixa cada vez mais louco e ele tenta desesperadamente escapar, até que é finalmente libertado após 15 anos. Seu único desejo é descobrir quem o aprisionou e porquê para obter sua vingança. Mal sabe ele que está sendo monitorado a cada passo.

Justamente quando você pensa que já viu tudo, vem esse filme que muda a sua percepção do que pode ser feito em filmes. Neste caso, é Oldboy, que na sua essência é uma releitura moderna de "O Conde de Monte Cristo", Alexandre Dumas, desviado pelo mundo sombrio e underground coreano. Ele tem uma visão muito diferente do thriller de vingança clássico, forçando o protagonista a decifrar pistas dadas a ele por um inimigo sádico.

Oldboy é um filme muito escuro, contado em três seções distintas e em cada uma dessas seções existem mudanças na natureza da história e na dinâmica entre os três personagens principais. Certamente, os elementos de David Fincher é o jogo e a própria vingança épica. Podemos ver Kill Bill de Tarantino na sede desesperada de Dae-Su por respostas.

Mas o principal ponto do filme está na relação entre Dae Su e Woo-jin Lee, em que este último representa um nível de mal e sadismo equivalentes aos de Hannibal Lecter. Lee usa todo o seu dinheiro e recursos para ficar sempre um passo à frente de Dae-Su, levando a um impasse que vai chocar até mesmo o mais fiel dos telespectadores.

A maneira como a história se desenrola é o que a torna tão brilhante, e o fim doentio é distorcido a um novo nível com uma série de reviravoltas perturbadoras que poucos vão esperar. Algumas cenas não são recomendadas para os fracos de coração ou de estômago, mas Chan-wook Park é brilhante na maneira que ele faz o filme, não só o suficiente para agitar o espectador, mas também deixando ainda mais para a imaginação.

Da mesma forma, as cenas de ação de Oldboy não são artes marciais graciosas, e sim uma forma mais visceral de combate à punho. Técnicas não convencionais do diretor se estendem à forma como ele filma as cenas também. Em uma cena de luta fundamental, Dae-Su luta contra bandidos ao longo do caminho de um corredor com apenas um martelo em mãos. É esse tipo de pensamento engenhoso que torna este um filme altamente elegante, sem parecer chamativo ou excessivamente artificial.


As implausibilidades na trama estão na expressividade e na bravura de direção de Chan-wook. Tarantino, Hitchcock e Fincher são pontos de referência, mas certamente o diretor de Oldboy possui um estilo próprio. Um grande feito, uma grande obra cinematográfica, e mesmo não sendo um filme para todos os gostos, impressiona facilmente. 



Oldboy é um bom exemplo do inovador cinema coreano e é pouco provável que você tenha visto algo parecido com isso antes, e, igualmente, é pouco provável que outro filme deixe a impressão duradoura que Oldboy deixa. É um filme visualmente deslumbrante, acompanhado pelo elenco brilhante que ajuda a tornar cada cena mais poderosa e dramática.

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