Minhas Impressões: Iron Man 3 (Homem de Ferro 3, 2013)


- sexta-feira, 24 de maio de 2013
* Alerta de Spoiler: Este post discute livremente elementos de toda a trama do filme. Aqueles que não viram o filme e querem o ver antes, são encorajados a regressar depois de tê-lo visto. *




Quarta-feira tive a oportunidade de finalmente assistir ao "Homem de Ferro 3" no cinema, vou tentar falar um pouquinho do que achei deste filme agora, afinal depois da atuação do Iron Man em The Avengers, fica difícil avaliar qualquer trabalho posterior.

Diferente da maioria das trilogias, não é preciso ter obrigatoriamente assistido a série para entender o que está acontecendo em Homem de Ferro 3, mas ajuda se tiver visto Os Vingadores. Achei um bom filme, com mais algumas surpresas e menos clichês do que Os Vingadores. É um pouco mais violento também, e se torna muito intenso ao longo da execução.

O que eu achei mais interessante sobre Homem de Ferro 3 foi que eles questionaram: "O que seria do Homem de Ferro sem a sua armadura?". E ele seria exatamente como imaginávamos, um homem sem habilidades muito extraordinárias em combate, mas com um cérebro brilhante. Tony Stark é privado de sua casa e de sua armadura na maioria do filme.

Ele tem que se contentar com o que tem e descobrir quem ele é de fato, assim ele é capaz de perceber que não é a armadura que faz dele o Homem de Ferro. Ele sempre foi o Homem de Ferro. Tony também está muito mais emocionalmente vulnerável neste filme. Os eventos do final de Os Vingadores o afetou profundamente, e ele está muito confuso, isso é claro.

É fácil fazer filmes de super-heróis que possuem uma pessoa em uma armadura superpotente e quebrando vilões, com muita Computação Gráfica e ação. Outra coisa é confiar tanto em seu personagem ao ponto de tirar a armadura de seu super-herói: a coisa mais interessante nesse personagem é quem ele é fora de sua armadura. A Marvel tinha fé suficiente em Tony Stark e na equipe criativa para deixá-los provarem isso.

E eles provaram isso muito bem com este filme, Tony Stark é realmente mais interessante do que o Homem de Ferro. O filme explora as deficiências tanto do homem quanto de suas máquinas, e demonstra que ambas são ao mesmo tempo vulneráveis, a armadura é apenas uma casca que pode ser quebrada, enquanto que Tony é o seu núcleo.


Ele é um homem que agora percebe que o mundo está cheio de ameaças maiores e ele jamais imaginou que sua vida estaria em perigo, e ainda pior, que o amor de sua vida, Pepper Potts (Gwyneth Paltrow), correria grandes riscos. Não são muitos os filmes de super-heróis que nos dão esse tempo para analisar os efeitos a longo prazo sobre a psiqué dos heróis, e apenas um filme havia explorado em profundidade a psicologia de um super-herói, que foi The Dark Knight Rises.

Nós vemos Tony Stark sem conseguir dormir, tendo ataques de ansiedade, com obsessão pela construção de armaduras. Tony teme que toda a sua confiança e habilidades não sejam suficientes, ele teme o fracasso, e ainda assim não reconhece a verdadeira ameaça quando ela está vindo em direção a ele.

Sua arrogância foi desafiada e há sempre um preço pago por um erro. Demolido, despojado de tudo o que tinha, à beira da morte e perdido, Tony tem que voltar às suas origens, um mecânico tentando consertar a única armadura do Homem de Ferro em funcionamento através de métodos relativamente primitivos.

Fiquei muito feliz com a atuação de Pepper no filme. Ela salva Tony não uma, mas duas vezes, primeiro no início, enquanto vestindo a armadura do Homem de Ferro, e depois no final. Ela é a única que realmente derrota o vilão e resgata Tony. Pense nisso por um momento: Tony tem que enfrentar seu maior medo, afinal de contas, ele não consegue salvar a vida de Pepper e ela parece morrer. Mas depois ela retorna, inverte a situação e vem em seu socorro.


O ponto fraco do filme é o vilão, mas com ressalvas! Vejamos:

Imagine se, em um filme do Batman, o Coringa não fosse realmente o Coringa: Como os fãs reagiram? O sentimento é mais ou menos esse.

Ben Kingsley interpreta o arqui-inimigo do Iron Man, o Mandarim, que revela-se como um ator contratado pelo cientista louco Aldrich Killian (Guy Pierce, grande ator, diga-se de passagem) para interpretar o Mandarim. Os puristas dos quadrinhos, e a maioria dos fãs de histórias em quadrinhos, não gostaram dessa versão do Mandarim, principalmente porque esse é o maior vilão do Homem de Ferro, mas as pessoas em geral que não estão familiarizadas com ele, e até mesmo os fãs de HQs vão dizer que foi bem executado, que é um bom filme. Mandarim parecia ser um assunto espinhoso para os produtores, desde que foi anunciado que ele seria o vilão principal e que seria interpretado por Kingsley. Shane Black insistiu que não iria ceder a estereótipos do personagem.

Particularmente gosto muito dos filmes de Shane Black. Quem já assistiu Máquina Mortífera, The Long Kiss Goodnight e outros de seus filmes, sabe do que estou falando, então vê-lo assumir um filme de super-herói e se entregar tanto, junto ao seu amigo Robert Downey Jr., foi um regalo para mim e gostei bastante.

(Não esqueça de ficar até o final dos créditos, é bem divertido.)


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.:: Andhora Silveira ::.

É graduanda em Ciência da Computação. Ama ficção científica,
histórias em quadrinhos, heavy metal, livros, física, astronomia e tecnologia.
É uma leitora exigente e gosta muito de escrever. Vida longa e próspera.

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